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  • ONDE VAI A LUZ QUANDO SE APAGA?

    • 22 Dec 2010
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    • Alina Duchrow João Fiadeiro PT Processos criativos
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    Foto: Dansbyrån

     

    Alina Duchrow
    Túnis

    Existem coisas sobre as quais quero falar e que, pura e simplesmente, não podem ser representadas. São do tipo de coisas que só passam a existir se forem apresentadas. São coisas que nem eu sei que existem, que nunca ouvi falar e que nem sequer desconfio da sua presença. E é por isso que quero falar delas: porque quero conhecê-las. E dá-las a conhecer. Sem filtros ou intermediários. Em tempo real.

    João Fiadeiro, entrevista a Annie Suquet

    Em entrevista a Annie Suquet, do Centre National de la Danse em Paris, o coreógrafo João Fiadeiro explica o método “Composição em tempo real”, que ele desenvolve e sistematiza desde 1995. O método fornece ferramentas para que o praticante abdique de sua condição de “criador”, assumindo uma posição de “mediador” e “facilitador” de acontecimentos, quebrando hábitos e padrões, deixando que as coisas aconteçam por si.

    O espaço do estúdio é dividido em dois com um fita de papel. Convenciona-se que um espaço é “o fora” e outro, “o dentro”. Os participantes começam todos do lado “de fora”, e olham para o lado “de dentro”. O espaço “de dentro” funciona como um espaço-potência que, com o tempo, absorverá o espaço “de fora” (e vice-versa), anulando qualquer distinção entre os dois. Quando isso acontece, quando quem estiver fora “se sentir” no interior e quem estiver dentro “se sentir” no exterior, é porque o método esta funcionando.

    Em um primeiro momento, o espaço fica “em aberto”, até que alguém tome a decisão de agir sobre ele, abrindo assim as “hostilidades” e dando início ao processo de composição em tempo real. A decisão de agir tem de ser absolutamente espontânea. Só assim é possível assumir responsabilidade pelos gestos realizados. Ser responsável por aquilo que se faz é condição sine qua non para o sucesso do trabalho. 

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  • CENTRO DO NOSSO MUNDO

    • 20 Nov 2010
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    • 14o. Dalai-Lama Compaixão Erin Ann Koch Meredith Monk PT Processos criativos
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    Foto: óleo sobre tela sem título, de Erin Ann Koch

     

    Carlos A. Inada
    São Paulo

    “A compaixão nos impele a trabalhar incessantemente com o intuito de nos destronarmos do centro do nosso mundo e, no lugar, colocar os outros.” Essa frase é parte da Carta pela Compaixão, iniciativa da historiadora Karen Armstrong (autora, entre outros, de Buda, Jerusalém: uma cidade, três religiões e Uma breve história de Deus) que comemorou um ano nesta semana e permite discutir a compaixão para além de boas intenções, sentimentos ou doutrinas religiosas: a compaixão está no centro de uma visão de mundo que vai além dos limites e das ilusões do “eu” e do “meu”, do “você” e do “seu”. Permite que criatividade, inovação e expressão possam ser mais do que uma viagem individual e exibicionismo. 

    A multiartista Meredith Monk comenta:

    Em Dharma/arte, Trungpa escreveu: “O problema fundamental em qualquer empreendimento artístico é a tendência a separar o artista de seu público e, então, tentar enviar uma mensagem de um a outro. Quando isso acontece, a arte se torna exibicionismo”. Essa é uma afirmação muito complexa, com muitos sentidos. Vemos arte na qual o que há é, acima de tudo, uma exibição do ego. Em certo sentido, a tradição ocidental enfatizou o artista individual como alguém isolado da sociedade, e também uma separação entre arte e vida. Muitas vezes, artistas que criaram obras brilhantes tiveram uma vida sofrida, e daí surgiu um mal-entendido fundamental: que a boa arte, a arte verdadeira, é um produto da neurose. Essa noção floresceu no século XIX e prosseguiu no século XX. Van Gogh e Pollock são dois exemplos que vêm à mente, cada um com uma vida pessoal bastante difícil e, ao mesmo tempo, com obras que refletem e incorporam princípios luminosos do universo. Trungpa provém da cultura tibetana, na qual se enfatizavam técnicas objetivas passadas de geração a geração, e a arte era vista como prática espiritual. Imagino que seu primeiro contato com a abordagem ocidental da “expressividade individual” tenha sido curioso.

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