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  • OLIVER SACKS E O OLHO DA MENTE

    • 2 Sep 2010
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    • Oliver Sacks Percepções Visão
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    The Mind’s Eye [O olho da mente], livro de Oliver Sacks que será lançado em outubro. 

     

    Como vemos o que vemos? Ou talvez: como visualizamos o que vemos? De acordo com Oliver Sacks, “nós vemos com os olhos. Mas também vemos com o cérebro. E ver com o cérebro é geralmente chamado de imaginação. E estamos familiarizados com os cenários de nossa própria imaginação, nossos cenários internos. Vivemos com eles por toda vida.”

    Steve Silberman, repórter da Wired e de diversas publicações, agora tem um blog na Science Blog Network of the Public Library of Science (PLoS Blogs), e acaba de publicar uma longa entrevista com Oliver Sacks (em inglês) sobre “visão, seu próximo livro e sobreviver ao câncer”. Leia abaixo um trecho da entrevista, e visite o blog de Steve Silberman na PLoS (em inglês).


    Silberman: No livro, você descreve alguns experimentos fascinantes que você conduziu com sua própria visão, em que você observou seu cérebro “preenchendo” os pontos cegos de seu campo visual com padrões e alucinações. A visão ingênua de nosso sistema visual é que ele funciona como uma câmera, recebendo passivamente impresões dos sentido e compilando-as no cérebro para formar um retrato mais ou menos acurado do mundo. Mas o trabalho de pesquisadores como V. S. Ramachandran e o de muitos outros fizeram-nos entender que essa visão é um processo altamente ativo e mesmo especulativo, no qual o cérebro faz adivinhações e predições sobre o que os olhos não podem ver.

    No curso de sua doença, você descobriu que seu cérebro gerava padrões elaborados, até mesmo nuvens e folhas, para esconder o espaço em branco causado pelo tumor em sua visão. Você sempre se interessou pela atividade visual generativa do cérebro ― tanto a causada por doenças como a psicodélica ― e escreveu extensamente sobre o assunto em seu primeiro livro, Enxaqueca. Mas o que você aprendeu dessas experiências sobre como o cérebro cria um mundo aparentemente coeso a partir de impressões sensoriais fragmentadas?

    Sacks: Em termos gerais, aprendi que o cérebro está sempre ocupado. Em particular, se um estímulo sensorial ― seja da visão, da audição, ou cinestésico ― é retirado, haverá algum tipo de compensação, e os sistemas corticais envolvidos nessas representações se tornarão hiperativos. Isso começou a ficar claro para mim quando conversei com pessoas cegas. Um homem, por exemplo, que perdera a visão quando tinha cerca de 20 anos, disse que, quando lia Braille, ele não tinha a sensação nos dedos, ele via. E há boas evidências de que as áreas occipitais do cérebro e as áreas inferotemporais ― áreas visuais ― são excitadas nesse tipo de situação.

    Quanto a mim, fui surpreendido por essa história de “preenchimento”. A primeira coisa que me surpreendeu ocorreu quando eu estava no hospital e podia prestar atenção nessas coisas ― talvez muita atenção. Mas o escotoma em minha visão, a área cega, era quase como uma janela de frente para uma paisagem. Nele podia ver movimento, e pessoas, e construções ― coisas como as que meu cérebro fabrica quando estou pegando no sono ou antes de uma enxaqueca. Mas isso parecia acontecer continuamente.

    Então houve um episódio que me chocou. Kate também estava no quarto. Eu estava lavando as mãos, e então por alguma razão fechei meu olho esquerdo, e continuei a ver a bacia, a cômoda e o espelho, muito, muito claramente ― tão claramente, na verdade, que meu primeiro pensamento foi que o curativo sobre o olho direito era transparente. Mas era um curativo enorme, espesso, opaco. Foi algo muito diferente de um vestígio. Foi mais uma estranha persistência ou perseverança da visão. A imagem não estava se apagando da maneira usual.

    Mas esse tipo de coisa somente começou a acontecer depois que fiz meu tratamento com laser em junho de 2007 e perdi minha visão central. Então, na noite em que retirei a atadura, vi aquela grande ameba negra ― com o formato da Austrália ―, mas ao olhar para o teto ela imediatamente desapareceu. Ela se tornou branca e camuflou-se assumindo a cor do ambiente. Então descobri que podia preenchê-la com padrões simples, como os padrões geométricos que se repetiam em meu tapete.

    Então descobri outro fenômeno que me espantou. No mesmo mês, fui para a Islândia para o casamento de um amigo. Na volta, estava muito quente no avião, então tirei os sapatos e as meias. Gostava de brincar com o escotoma, novendo-o de um lado para outro e colocando coisas “nele”, então o usei para amputar minha perna no meio da canela. Mas então comecei a mexer os dedos dos pés, e gradualmente uma estranha extensão rósea e protoplasmática apareceu ao redor do toco da minha perna. Ela adquiriu a forma de um pé com dedos que se mexiam, e seguiu exatamente meus movimentos. Não parecia verdadeira ― não tinha a textura da pele ou nada parecido ―, mas foi um fenomeno verdadeiramente espantoso, que me fez sentir que a área visual havia se tornado hipersensível a outros estímulos, como o estímulo proprioceptivo ou algum tipo aferente do movimento.

    Também tive ― e ainda tenho ― alucinações de ordem menor quase continuamente: objetos geométricos, especialmente fragmentos de letras, algumas do inglês, outras que se parecem com letras hebraicas, outras do grego, outras da escrita rúnica, algumas parecidas com números. Tendem a ter formas retas em vez de curvas, mas raramente formam palavras reais. Não mencionei isto no livro, mas se fumo um pouco de maconha, às vezes elas formam palavras. E elas geralmente são preto e branco ― mas quando fumo maconha elas são coloridas.

     

    Oliver Sacks: o que a alucinação revela sobre nossa mente (clique em “View subtitles” e escolha a legenda).

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  • TOCAR O SOM: EVELYN GLENNIE

    • 23 Jul 2010
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    Evelyn Glennie mostra como escutar (palestra no TED2003) (clique em "View subtitles" e selecione a legenda que desejar).


    Assim, da mesma maneira como preciso de tempo com este instrumento, preciso de tempo com as pessoas para poder interpretá-las. Não apenas traduzi-las, mas interpretá-las. Se, por exemplo, toco alguns compassos de uma partitura na qual penso em mim mesma apenas como um técnico ― isto é, alguém que é basicamente um percussionista... e assim por diante. Mas se penso em mim mesma como uma musicista... e assim por diante. Existe uma pequena diferença aí sobre a qual vale a pena refletir.

    Evelyn Glennie

     

    Touch the Sound: A Sound Journey with Evelyn Glennie (Tocar o som: uma jornada sonora com Evelyn Glennie) (Thomas Riedelsheimer, 2004)

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     


    Tapdance1

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