De 18 de julho a 11 de outubro, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) apresentará Matisse: invenção radical, 1913-1917. A exposição, organizada por The Art Institute of Chicago, oferece uma rara oportunidade para testemunhar como ocorreram as mudanças no trabalho de Matisse durante esse período ― como o artista mudou sua visão da realidade, da realidade de seu próprio trabalho, e como foi construída a base da mudança, a base de um novo paradigma.
Do site do MoMA:
Na época entre o retorno de Henri Matisse (1869-1954) do Marrocos, em 1913, e sua partida para Nice, em 1917, o artista produziu algumas das obras mais rigorosas, experimentais e enigmáticas de sua carreira ― pinturas que são abstratas e rigorosamente expurgadas de detalhes descritivos, geométrica e exatamente compostas, e dominadas por sombras de preto e cinza. Obras desse período são tipicamente tratadas como independentes uma da outra, e como uma aberração no contexto do desenvolvimento do artista, ou como uma resposta ao cubismo ou à Primeira Guerra. Matisse: invenção radical, 1913-1917 vai além da superfície dessas pinturas e examina sua produção física e o contexto essencial das práticas de estúdio de Matisse. Através dessa mudança de foco, a exposição revela conexões profundas entre essas obras e demonstra o papel crítico delas no desenvolvimento do artista nesse período. O próprio Matisse reconheceu, ao final de sua vida, o significado desse período ao identificar duas obras ― Banhistas na margem de um rio (1909-10, 1913, 1916-17) e Os marroquinos (1915-16) ―como “cruciais”. A importância desse momento reside não apenas nas qualidades formais das pinturas mas também na natureza física delas, que traz em si a história de sua manufatura. A exposição inclui aproximadamente 120 pinturas, esculturas, desenhos e gravuras, primariamente dos anos de 1913 a 1917, no primeiro exame consistente de seu trabalho nesse importante período.
Composição n. II (1909), © The State Museum of Fine Arts, Moscou
A evolução de Banhistas na margem de um rio pode ser traçada por intermédio do raio-X da pintura. Matisse começou a tela em março de 1909, e ao trabalhar nela ao longo de 1910, modificou o que inicialment era uma cena idílica com quatro figuras em uma paisagem, traduzindo-as em cores vibrantes e em tensas formas figurativas. Em maio de 1913, o artista voltou à tela, e por volta de novembro desse ano havia transformado a arcádica imagem em uma cena inspirada pelo cubismo, descrita em uma paleta monocromática. Três anos depois, novamente reinventou a cena, segmentando a composição em duas grandes faixas de cor que reforçam os contornos e as formas geométricas das figuras. Trabalharia na tela novamente no ano seguinte, refinando sua última investida e fazendo mudanças sutis que refletem um novo interesse por um tipo mais suave de luz.
Banhistas na margem de um rio, Issy-les-Moulineaux, março-maio de 1909, outono de 1909-primavera de 1910, maio-novembro 1913, início da primavera-novembro 1916, janeiro-outubro (?) de 1917. Óleo sobre tela. The Art Institute of Chicago, coleção Charles H. e Mary F. S. Worcester, 1953.158
Visite o site da exposição em The Art Institute of Chicago: http://www.artic.edu/aic/exhibitions/matisse/splash.html
Visite a apresentação interativa sobre a exposição no site do jornal The New York Times: http://www.nytimes.com/interactive/2010/07/11/arts/20100711-matisse-bathers-moma.html