Capa de Triptych, de Eliane Radigue
Carlos A. Inada
São Paulo
O violoncelista Charles Curtis diz, sobre Eliane Radigue: “Trabalhar com Eliane é aprender a ouvir como ela ouve. A disciplina que ela traz a seu envolvimento com o som é legendária. Ela é persistente, crítica, alerta, sempre questionando a si mesma. Interpretar uma obra sua é incorporar esses atributos. Em seu apartamento, ela vive em um mundo próprio, cercada por coisas curiosas, hábitos, memórias, plantas, equipamentos de áudio, objetos de arte. Ela vai e volta da cozinha passando por uma cortina de filodendro; seu gato observa silenciosamente, como uma esfinge. Em seu mundo, o som nunca é totalmente o mesmo e nunca é totalmente diferente, como ela diz, parafraseando Verlaine. Interpretar sua música é entrar em um mundo diferente de qualquer outro, mas ainda o seu mundo vivido; e atuar nele, de maneira consciente e responsável.”


