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  • SENTIR O QUE ACONTECE

    • 26 Jan 2011
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    • Ciência Jonah Lehrer Neurociência PT William James
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    Foto: Zsolt Zsoló Kóté

     

    Desde seu princípio, no início do século XX, a neurociência vem sendo bem-sucedida e conquistando intimidade com o cérebro. Os cientistas reduziram nossas sensações a um conjunto de circuitos discretos. Forneceram imagens de nosso córtex quando ele pensa a respeito de si mesmo, e calcularam a forma dos canais íon, que são manipulados segundo especificações subatômicas.

    No entanto, apesar desse vasto conhecimento material, ainda somos estranhamente ignorantes em relação àquilo que nossa matéria cria. Conhecemos a sinapse, mas não conhecemos a nós próprios. Na verdade, a lógica do reducionismo traz a implicação de que nossa autoconsciência é realmente uma elaborada ilusão, um epifenômeno gerado por algum estremecimento elétrico no córtex frontal. Não há nenhum fantasma na máquina; existe apenas a vibração do maquinário. Sua cabeça contém 100 bilhões de células elétricas, mas nenhuma delas é você, e tampouco o conhece ou se importa com você. Na verdade, você nem mesmo existe. O cérebro não é nada além de uma regressão infinita de matéria, redutível às insensíveis leis da física.

    O problema com esse método é que ele nega o próprio mistério que ele precisa resolver. A neurociência distingue-se por desemaranhar os mistérios da mente de baixo para cima. Mas nossa autoconsciência parece exigir uma abordagem de cima para baixo. Como escreveu o romancista Richard Power, “se conhecêssemos o mundo apenas através de sinapses, como poderíamos conhecer a sinapse?”. O paradoxo da neurociência é que seu surpreendente progresso expõe as limitações de seu paradigma, na medida em que o reducionismo não é capaz de explicar nossa mente emergente. Muitas de nossas experiências permanecem fora de seu alcance.

    Este mundo da experiência humana é o mundo das artes. O romancista e o pintor e o poeta abraçam esses aspectos efêmeros da mente que não podem ser reduzidos, ou dissecados, ou traduzidos na atividade de um acrônimo.

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  • THE FEELING OF WHAT HAPPENS

    • 26 Jan 2011
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    Photo: Zsolt Zsoló Kóté

     

    Since its inception in the early 20th century, neuroscience has succeeded in becoming intimate with the brain. Scientists have reduced our sensations to a set of discrete circuits. They have imaged our cortex as it thinks about itself, and calculated the shape of ion channels, which are machined to subatomic specifications.

    And yet, despite this vast material knowledge, we remain strangely ignorant of what our matter creates. We know the synapse, but don’t know ourselves. In fact, the logic of reductionism implies that our selfconsciousness is really an elaborate illusion, an epiphenomenon generated by some electrical shudder in the frontal cortex. There is no ghost in the machine; there is only the vibration of the machinery. Your head contains 100 billion electrical cells, but not one of them is you, or knows or cares about you. In fact, you don’t even exist. The brain is nothing but an infinite regress of matter, reducible to the callous laws of physics.

    The problem with this method is that it denies the very mystery it needs to solve. Neuroscience excels at unraveling the mind from the bottom up. But our self-consciousness seems to require a top-down approach. As the novelist Richard Powers wrote, “If we knew the world only through synapses, how could we know the synapse?” The paradox of neuroscience is that its astonishing progress has exposed the limitations of its paradigm, as reductionism has failed to solve our emergent mind. Much of our experiences remain outside its range.

    This world of human experience is the world of the arts. The novelist and the painter and the poet embrace those ephemeral aspects of the mind that cannot be reduced, or dissected, or translated into the activity of an acronym.

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