Teaser de The Imagine Project (www.herbiehancock.com).
O blog dos editores de Tricycle: The Buddhist Review comentou hoje artigo do Sydney Morning Herald em que Herbie Hancock fala de sua prática budista, da influência dela em seu trabalho e de The Imagine Project, seu mais recente projeto, com participação de Anoushka Shankar, Pink, John Legend, Dave Matthews, The Chieftains, Los Lobos, India.Arie, Juanes e a brasileira Céu, entre outros:
“O que aprendi é que, para que algo tenha valor, de algum modo deve servir a humanidade, do contrário, será algo que servirá apenas a si próprio, frívolo, destruidor.”
Hancock aproximou-se do budismo há cerca de 38 anos, por intermédio de seu baixista Buster Williams. É significativo que tenha sido o estilo brilhante de Williams, inspirador de apresentações surpreendentes, “com um tipo de tonalidade espiritual” que deixava seus patronos “em lágrimas”, que tenha falado mais alto a Hancock sobre a fé de seu colega. [...]
Hancock diz que somente escutou a explicação que Williams deu do budismo porque essa introdução veio “pela música”. [...]
Davis “nunca nos disse o que tocar”, mas no processo de tocar com ele “aprendíamos a coragem, exercitávamos a coragem... aprendíamos ultrapassar limites”.
Como escreve Sam Mowe no blog da Tricycle, é incrível que a inspiração budista de Herbie Hancock tenha surgido da experiência musical, e não de uma compreensão intelectual ― o que nos deixa curiosos sobre como esse envolvimento influenciou, posteriormente, seu trabalho e suas improvisações.
Herbie Hancock comenta, sobre "The Imagine Project":
[...] a melhor maneira de estabelecer uma colaboração global como caminho para a paz é honrando as várias culturas diferentes da minha.
Algo que realmente me choca ao viajar pelo mundo como músico, especialmente como músico de jazz, é notar como na lista de músicas mais vendidas de diversos países — não só países europeus, mas também asiáticos e vários outros por todo o mundo — poucas entre as 10 músicas mais vendidas são realmente norte-americanas, mas muitas são sempre em inglês! Embora sejam vendidas globalmente, não são músicas produzidas com uma perspectiva global. Decidi que queria fazer um álbum que fosse realmente global desde a sua concepção. Foi quando decidi que ele seria gravado em diversas línguas. Uma das melhores maneiras de honrar uma cultura diferente da minha é através da língua, mostrando como podemos ter respeito suficiente e como estamos atentos a essa cultura, como nos importamos em ter sua língua representada. Consegui fazer isso nesse álbum.
Os Estados Unidos são um país imigrante. Todos nós não somos deste páis, na maior parte. Nossos ancentrais são de todo o planeta. Agora, a imigração tornou-se uma questão. Se quisermos ver um imigrante, tudo o que devemos fazer é olhar para o espelho. Na medida em que nós, norte-americanos, temos traços de nossos ancestrais por todo o planeta, estive justamente em vários países que contêm esses traços. Esses são realmente nosso povo, indianos, brasileiros, africanos, europeus... este álbum é realmente sobre isso.
Herbie Hancock e Céu em "Tempo de amor", de Baden Powell e Vinicius de Moraes.

