Forrest Loder
Portland, OR
Para continuar minha investigação do movimento, escolhi um texto escrito em 1961 pelo escultor cinético suíço Jean Tinguely. Escolhi este texto em particular porque penso que ele é rico em ensinamentos que expandem as questões do movimento para além da prática simplesmente criativa. Tinguely usa uma linguagem paradoxal que contrasta os temas do estático e do movimento. Com essa linguagem enigmática, ele acena para a natureza invariável do movimento e da mudança. O tom de Tinguely neste escrito é o de apresentar um manifesto, um deslocamento radical do pensamento e da prática. Espero que aprecie, e por favor, considere como essas ideias podem se aplicar a sua prática.
Estático, estático, estático! O movimento é estático! O movimento é estático porque é a única coisa imutável ― a única certeza, a única coisa imutável. A única certeza é que o movimento, a mudança e a metamorfose existem. É por isso que o movimento é estático. Os assim chamados objetos imóveis existem apenas em movimento. Coisas, ideias, trabalhos e crenças imóveis, certos e permanentes mudam, transformam-se e desintegram-se. Objetos imóveis são retratos de um movimento cuja existência nos recusamos a aceitar, porque nós mesmos somos apenas um instante no grande movimento. O movimento é a única coisa estática, final, permanente e certa. Estático significa transformação. Sejamos estáticos em união com o movimento. Mova-se estaticamente! Seja estático! Seja movimento! Acredite na qualidade estática do movimento. Acredite na mudança. Não se apegue a nada. Mude! Não defina nada! Tudo sobre nós é movimento. Tudo ao nosso redor muda. Acredite na qualidade estática do movimento. Seja estático!



