Foto: Zsolt Zsoló Kóté
“Educação contemplativa” é um termo que está se tornando crescentemente popular na educação superior nos Estados Unidos. Isso não me surpreende. Há trinta anos, Chögyam Trungpa, mestre de meditação tibetano que havia se transplantado para os Estados Unidos, identificou o que não estava funcionando em nosso sistema educacional e, como consequência, fundou o Naropa Institute. Ele percebeu que a educação deve falar ao todo da pessoa, treinar esse todo, corpo, mente e espírito, e também treinar a relação do corpo, da mente e do espírito com o meio na escala mais ampla possível. Isso era verdade na época, ainda é agora e continuará a ser verdade à medida que avançamos pelo século XXI. Continua a ser verdade apesar das inovações tecnológicas dos computadores e de outros aparelhos que possam surgir. Surpreendentemente, foi necessário algum tempo para que o sistema educacional norte-americano reconhecesse essa necessidade de uma educação que transcenda a informação factual no interior de áreas delimitadas de especialização, tendo como foco, em vez disso, a transformação radical de todo o ser e de seu mundo. Fundações como o Center for Contemplative Mind in Society e o Fetzer Institute recentemente começaram a proclamar que “uma sociedade verdadeiramente democrática requer um sistema de educação superior que treine o aluno para o insight reflexivo, tanto quanto seu pensamento crítico”.
Esse é um aprendizado que inclui a reflexão tanto quanto a análise, tem como foco o crescimento pessoal tanto quanto o domínio de habilidades, desenvolve tolerância com a ambiguidade, abertura para rever suas posições, imaginação como um caminho para a compreensão tão importante quanto a argumentação racional.
Ainda que leve algum tempo para que o sistema dominante perceba isso, na Naropa University e em outros lugares essa abordagem vem recebendo atenção. A questão é: como podemos oferecer tal educação?
O que surge de maneira urgente e frequente nas discussões em Naropa é a necessidade de encontrar uma linguagem que explique o que queremos dizer com “educação contemplativa”. Como podemos ensiná-la e promovê-la se não podemos falar sobre ela, descrevê-la, rotulá-la? Como até mesmo podemos saber o que ela é se não a podemos explicar em nosso catálogo e em nosso site? Alguns de nós, que acompanharam Naropa em seus primeiros dias, têm dúvidas sobre esse processo de categorizar e rotular. Há trinta anos, quando trouxemos para nossa mente de principiante a tarefa de criar esse modelo educacional, não o chamávamos de “educação contemplativa”, e não chamávamos Naropa de universidade. A maioria de nós éramos um grupo de professores, filósofos e artistas insatisfeitos que haviam começado a meditar, ou ao menos pensavam em fazer isso, e que estavam intrigados para explorar aquilo que a mente meditativa poderia trazer para as maneiras como abordamos nossas formas artísticas ou disciplinas acadêmicas. Mais importante, estávamos interessados em saber se havia uma maneira de melhorar, tanto nossa mente como a educação.
Trecho de “O professor contemplativo: uma visão de longo prazo”, de Lee Worley, próxima atualização de D/A Magazine, em 22 de agosto.
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