Jakusho Kwong-roshi fala sobre Chögyam Trungpa Rinpoche, em entrevista a Bill Scheffel
Em 1974, antes do credenciamento de Naropa, Trungpa convidou-me para ensinar, e trazer toda minha família para Red Feather Lakes, Colorado. A caminho de lá, decidi seguir um rio que corria próximo até sua nascente, onde, para minha surpresa, descobrimos uma rocha de onde jorravam e corriam pequenos pingos d’água, a própria força vital do rio. Depois, quando paramos no estacionamento daquilo que viria a ser o Centro do Dharma Shambhala Mountain, um Seminário estava acontecendo. Estacionamos perto da barraca de Trungpa, e na manhã seguinte meu filho mais velho, Ryokan, que gostava de pescar, convidou o filho de Trungpa (agora, o Sakyong Mipham Rinpoche), então com doze anos, para pescar conosco. Os assistentes de Trungpa tinham nos avisado que não havia varas, mas tínhamos trazido as nossas, e Rinpoche foi receptivo e partimos para Poudre Canyon, onde, em um dia quente e belo, misteriosamente pescamos mais do que muitas trutas arco-íris ― certa vez, três em uma só fisgada! Depois de um tempo, no entanto, o Sakyong, que eu notara estar segurando uma vara sem linha, admitiu que seu pai havia dito a ele para não pescar, e depois soubemos que Trungpa havia deixado suas varas no acampamento de escoteiras ao lado. Os tibetanos comem apenas animais maiores, e com isso matam menos e alimentam mais. Naquela noite limpamos, cozinhamos e comemos nossa pesca. Descobrimos anos depois que, sem dizer uma palavra um ao outro, ninguém de minha família jamais pescou novamente.

