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  • O PRINCÍPIO DO MANDALA (3)

    • 18 Jun 2010
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    • Caos ordenado Chögyam Trungpa Nirvana Princípio do mandala Samsara
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    Orderly

    Parece haver um grande mal-entendido na maneira como o princípio fundamental do mandala foi apresentado às pessoas. Portanto, vale a pena trabalhar melhor a ideia de mandala — o que é mandala, por que é mandala, como é mandala. Isso envolve trabalhar com nossa situação de vida, nossa existência fundamental, todo nosso ser.

    Para começar, deveríamos discutir a ideia de caos ordenado, que é o princípio do mandala. É ordenado, porque surge com um padrão; é caos, porque trabalhar essa ordenação é algo confuso.

    O princípio do mandala inclui o mandala do samsara e o mandala do nirvana, que são iguais e recíprocos. Se não compreendemos o aspecto samsárico do mandala, não existe tampouco nenhum aspecto nirvânico do mandala.

    A ideia de caos ordenado é a de que somos metodicamente confusos. Em outras palavras, a confusão é intencional. É intencional no sentido de deliberadamente decidirmos ignorar a nós próprios. Decidimos boicotar a sabedoria e a iluminação. Queremos continuar com nossas viagens, com nossa paixão, agressão e assim por diante. Por causa disso, criamos um mandala, um círculo autoexistente. Criamos a ignorância deliberadamente, então criamos percepção, consciência, nome e forma, consciência dos sentidos, tato, sensação, desejo, cópula, o mundo da existência, nascimento, velhice e morte. É assim que criamos o mandala em nossa existência diária como ela é.

    Gostaria de apresentar o princípio do mandala desse ângulo cotidiano para que se torne algo trabalhável, e não algo puramente filosófico ou psicológico, uma versão budista da teologia. Desse ponto de vista, o caos ordenado é ordenado, porque criamos a base desse mandala. Nós nos relacionamos com ele como a base sobre a qual podemos jogar nossos jogos de hipocrisia e aturdimento. Esse jogo é usualmente conhecido como ignorância, e tem três lados: ignorância de si mesma, ignorância nascida no interior e ignorância da compulsão, ou ignorância da medida imediata. (Na terceira ignorância, tendo desenvolvido um sentido de separação da base, existe um sentido de que imediatamente temos de fazer algo a respeito disso.)

    Na medida em que o mandala se baseia em nossa ignorância ou confusão, não faz sentido discuti-lo a não ser que saibamos quem nós somos e o que nós somos. Essa é a base para discutir o mandala. Não faz sentido discutir divindades, dizer quais estão localizadas em que parte nos diagramas do mandala, e os princípios que possivelmente nos despertariam de nossa confusão para um estado desperto. Seria ridículo discutir essas coisas neste ponto ― completamente fora de questão. Temos de saber primeiro o que é mandala, por que o mandala existe, e por que uma noção como a noção de iluminação existe.

    Chögyam Trungpa, "Mandala of unconditioned energy", in Orderly chaos

     

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  • O PRINCÍPIO DO MANDALA (2)

    • 16 Jun 2010
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    • Caos ordenado Chögyam Trungpa Nirvana Princípio do mandala Samsara
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    Orderly

    A ideia de iluminação nasce da confusão. Porque alguém está confuso, existe o outro aspecto em contraste com essa confusão, que é a iluminação. Temos de abordar isto cientificamente: se a confusão existe, então, a iluminação existe e, portanto, a confusão existe. Temos de trabalhar com essa polaridade. 

    Existe um sentido de espaço, constantemente. Existe um sentido de espaço, porque existe um limite que mede o espaço. Em outras palavras, se tivéssemos um lote de terra e quiséssemos afirmar definitivamente que é nossa terra, então teríamos de construir uma cerca ao redor dela. A cerca significaria que essa área em particular pertence a nós e que queremos trabalhar sobre essa base. Com essa abordagem, chegamos a nossa terra, nos relacionamos com ela e começamos a possuí-la. Ela pertence a nós. Então desenvolvemos esse sentido de posse até um ponto em que é absolutamente impossível continuar a trabalhar dessa maneira. O espaço de nossa terra se torna espaço sólido: esta é nossa terra, ela pertence completamente a nós. Toda a terra é nossa. Esse sentido de nossa traz automaticamente a possessividade, agarrar-se, prender-se a algo. Prender-se significa solidificar essa terra que pertence a nós. Sendo nossa, nós a tornamos concreta, fazemos dela uma terra concreta, espaço concreto. Congelamos a área toda. 

    Consequentemente, a única coisa que resta para com ela nos relacionarmos é o limite, a cerca. Essa é a última esperança que temos. Começamos a olhar para ela como uma maneira de aprofundar como nos relacionamos. Talvez a cerca que originalmente construímos tenha algum espaço em seu interior. Começamos a gritar e a devorar essa cerca como um verme, em busca de território ou espacialidade. Na medida em que não temos nenhuma relação como nosso espaço fundamental como abertura, transformamos o limite em espaço. Isso vira tudo de cabeça para baixo, como um filme positivo que se torna negativo. Tudo o que é preto se torna branco, e tudo o que é branco se torna preto. O único caminho que nos resta para aprofundar como nos relacionamos se baseia na esperança de que a cerca possa ser espaçosa ― possa ser uma parede oca, e não sólida. É assim que começamos a estabelecer uma situação de mandala, com nossa mente confusa.

    Chögyam Trungpa, "Mandala of unconditioned energy", in Orderly chaos.

     

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