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  • "TULKU", FILME DE GESAR MUKPO (INTEGRAL)

    • 24 Sep 2010
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    • Budismo Chögyam Trungpa Cinema
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    Tulku
    Dzongsar Khyentse Rinpoche e Gesar Mukpo. Foto: © National Film Board of Canada. Todos os direitos reservados.

     

    Via Emanuele Balzani
    Atualização em 24/1/2011: o vídeo foi inicialmente retirado do site da Boeddhistische Omroep Stichting, tendo retornado com acesso restrito a algumas regiões

    Tulku é um documentário sobre jovens que se veem entre a cultura moderna em que nasceram e a antiga cultura budista tibetana da qual renasceram. São tulkus ocidentais ― todos reconhecidos quando crianças como reencarnações de grandes mestres tibetanos. O cineasta Gesar Mukpo é um deles. Em Tulku, ele se encontra com outros como ele ― jovens em conflito entre o moderno e o antigo, o Oriente e o Ocidente.

    Gesar Mukpo é um cineasta que vive em Halifax, Nova Scotia, Canadá. Filho do mestre budista tibetano Chögyam Trungpa Rinpoche e de sua esposa britânica, Mukpo foi reconhecido como reencarnação do amado mestre de seu pai aos 3 anos. Desenvolveu suas habilidades em vídeo e cinema através de trabalhos comerciais e estudando com seu mestre budista e cineasta Khyentse Norbu.

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  • APENAS MAIS UM DIA NA ACADEMIA

    • 24 Aug 2010
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    • Budismo Idade das Trevas Meditação
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    Foto: Nina Maria Mudita

     

    É uma da tarde de uma quinta e Dianne Bates, 40, se divide entre três telas. Escuta música em seu iPod, dedilha um e-mail rápido em seu iPhone e presta atenção a uma TV de alta definição.

    Apenas mais um dia na academia.

    Enquanto se dedica a múltiplas tarefas, a sra. Bates agita as pernas na máquina elíptica de uma academia do centro da cidade. Ela está em boa companhia. Em academias e por toda parte, as pessoas usam seus celulares e outros aparelhos para fazer o seu trabalho ― e como um confiável antídoto contra o tédio.

    Celulares, que nos últimos poucos anos se tornaram computadores completos, com acesso rápido à internet, permitem que as pessoas aliviem o tédio do exercício, da fila no mercado, dos semáforos ou da calma conversa durante um jantar.

    A tecnologia entretém os menores intervalos de tempo, e torna-os potencialmente produtivos. Mas os cientistas apontam um efeito colateral inesperado: quando as pessoas mantêm seus cérebros ocupados com informações digitais, estão confiscando um período de inatividade que poderia permitir melhorar o seu aprendizado e sua memória, ou permitir o surgimento de novas ideias.

    The New York Times, 24/8/2010

     

    É impressionante como o artigo acima parece contradizer as lições mais básicas de meditação, e como a mente evita o tédio e procura entretenimento e produtividade. Volta e meia nos perguntamos em Dharma/Arte sobre a frequência e a intensidade com que nos dedicamos a tarefas diferentes. Muitas vezes, situações como a descrita no New York Times parecem mais uma obra de ficção. Ou é uma situação mais comum do que imaginamos?

    Como você se relaciona com a tecnologia para dedicar-se a diferentes tarefas? Sua experiência pessoal é tão intensa como a de Dianne? Você acha que é verdadeiramente produtiva?

     

    Uma pessoa se cansa de viver no campo, e muda-se para a cidade; cansa-se de sua terra natal, e viaja pelo mundo; cansa-se da Europa e vai para a América, e assim por diante; finalmente sucumbe à esperança sentimental de jornadas sem fim, de uma estrela a outra. Ou o movimento é diferente, mas ainda assim infindo. Cansa-se de seus pratos de porcelana e come com os de prata; cansa-se da prata e a troca pelo ouro; põe fogo em metade de Roma para ter uma ideia do incêndio de Troia. Esse método, no entanto, derrota a si mesmo, ele simplesmente não tem fim.

    Meu próprio método não consiste em tal mudança de campo, e sim se parece com o verdadeiro método da rotatividade, que alterna a safra e o método de cultivo, e não o campo. Aqui temos o princípio da limitação, o único princípio que pode salvar o mundo. Quanto mais nos limitamos, mais férteis nos tornamos na imaginação.

    Søren Kierkegaard, citado por Bill Scheffel em O princípio do drala

     

    Há mais de mil anos, Padmasambhava, o grande mestre que levou o budismo da Índia para o Tibete, predisse que esta idade das trevas em especial seria caracterizada por uma inteligência cada vez maior. A mente discursiva correria desenfreada. Criaríamos miríades de maneiras para manter-nos entretidos, tornando-nos peritos em ocupar nosso tempo livre. Não usaríamos mais o intelecto para promover o aperfeiçoamento, mas para passar o tempo imersos nessa ou naquela forma de distração, em férias constantes. Padmasambhava predisse que, conforme nos tornássemos mais sagazes e inteligentes, a compaixão seria vista como algo cada vez mais fútil, e perderíamos o conhecimento de como trazer significado à vida. Nosso cavalo-de-vento enfraqueceria. Ao mesmo tempo, o número de armas, doenças e pessoas famintas cresceria. As emoções negativas também aumentariam, e a motivação para levar uma vida significativa — uma vida virtuosa — desvaneceria. A aparência física se deterioraria à medida que processássemos essa negatividade.

    É assustador constatar a precisão dessas previsões. Ao longo dos últimos cem anos, uma engenhosidade cada vez maior resultou em tecnologias que melhoraram a vida de muitas maneiras. Ao mesmo tempo, elas aumentaram a capacidade de distrair a mente. Estamos aprisionados na crença de que adquirir coisas nos fará felizes. As cores do medo ameaçam tudo o que fazemos. O medo gera a covardia; a compaixão parece ser pouco realista, e a raiva parece ser mais prática. Quando permitimos que o pensamento discursivo e as emoções negativas corram soltas, enfraquecemos o cavalo-de-vento e produzimos nossa própria idade das trevas.

    Nesta era das trevas, a distração freqüentemente se manifesta como agitação. A agitação aniquila o espaço no qual poderíamos apreciar o que estamos fazendo. Esse frenesi cria seu próprio poder e momento, que passam a nos governar. Como não podemos repousar no presente, não conseguimos ficar satisfeitos; conduzimos a vida de maneira agressiva. Valemo-nos da inveja, da competição, da obsessão e da irritação, tentando cumprir com compromissos, telefonemas, reuniões — qualquer coisa necessária para levar-nos aonde acreditamos que precisamos ir. Quando temos um dia difícil, é porque essas emoções negativas estão criando obstáculos para o “eu” ao longo do caminho. Como os quebra-molas que nos forçam a reduzir a velocidade, esses obstáculos nos dizem para ir mais devagar e utilizar o payu. No entanto, sem a brandura do tigre, não conseguimos ouvi-los.

    Para ter domínio sobre a vida, precisamos primeiro ser capazes de reconhecer como bloqueamos o caminho que leva à nossa própria satisfação. Na prática da meditação sentada, tentamos penetrar o exterior agitado reduzindo as atividades e estabilizando a capacidade de estar presentes. Em seguida, levamos essa prática para nosso dia, refletindo continuamente sobre o que cultivar e o que descartar, a fim de fortalecer o cavalo-de-vento. Percebemos que querer estar em qualquer local diferente daquele onde estamos e fazer qualquer coisa diferente da que fazemos no momento são movimentos desnecessários, que nos desequilibram. Recuperamos o equilíbrio utilizando o payu. Com o discernimento do tigre, aprendemos a diminuir a marcha, olhar para onde estamos e apreciar a situação.

    Sakyong Mipham Rinpoche, Governe seu mundo

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