A atualização mais recente de D/A Magazine apresenta uma entrevista de Steve Silberman com Josh Shenk, sobre o gênio das alianças criativas. Shenk está estudando duplas criativas como John Lennon e Paul McCartney, ou Pierre e Marie Curie, e como em cada dupla há uma inspiração recíproca em que os indivíduos se tornam musas um para o outro, indo além de suas limitações individuais. Talvez o “eu” nunca tenha sido isolado, como o mito do gênio solitário nos faz pensar, sendo o resultado de relações e colaborações.
Isso me fez pensar na noção de “espaço contenedor”, como apresentada em ensinamentos e práticas de Chögyam Trungpa. Michael Chender, um dos primeiros estudantes de Trungpa e fundador do Authentic Leadership in Action Institute, escreveu:
Chamamos de “espaço contenedor” as condições que permitem que indivíduos façam parte de um grupo, desenvolvam a confiança e usem a energia do grupo para ir além de suas próprias limitações. Poderíamos também chamar de “cultura”, mas a expressão “espaço contenedor” possui um sentido de inclusão que pode ser mais fluido. Com um bom espaço contenedor, os ingredientes corretos e algum calor, podemos preparar algo saboroso.
Assim, o espaço contenedor consiste de regras, entendimentos, processos, atitudes, formas e do meio que cria as condições para a riqueza e evolução da colaboração — em um grupo, equipe, organização, comunidade ou sociedade.
Quais as semelhanças e diferenças entre as visões apresentadas por Chender e Shenk? Há atualmente diversas iniciativas independentes ― na ciência, na cultura, em lideranças e na arte ― em que a colaboração é apresentada como “meio hábil” que nos permite ir além das limitações de um sentido ilusório de “eu”. O que essas iniciativas podem aprender uma com a outra? Como podemos criar um espaço contenedor que permita que essas iniciativas independentes se enriqueçam e magnetizem um novo paradigma?



