O tema proposto pela exposição “Tradição transformada: artistas tibetanos respondem” oferece diversas interpretações. Talvez se possa dizer que a tradição é sempre transformada, na medida em que mesmo o momento que tenta reproduzir literalmente uma forma tradicional é diferente do que a originou.
Transformar a tradição talvez seja uma vocação natural, sem que isso represente uma negação da tradição ou um desrespeito a ela. Nesse sentido, a defesa da tradição talvez diga tanto quanto as diversas maneiras de propor sua transformação. A paródia e o pastiche pós-moderno seriam dois momentos dessa história.
Na história do modernismo brasileiro, a antropofagia representou uma forma original de problematizar a questão da tradição, fazendo da relação negativa usualmente atribuída à ideia de canibalismo uma forma de digerir a influência, transformando-a e devolvendo o que não serve: “Tupy, or not tupy that is the question. [...] Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago”.
A exposição “Tradição transformada” propõe-se a investigar essa questão no contexto da cultura tibetana e de sua influência no Ocidente, mais especificamente do ponto de vista de nove jovens artistas tibetanos e sua familiaridade tanto com a cultura ocidental e como com o legado da cultura tibetana.
O Rubin Museum of Art criou um site interativo que apresenta obras desses artistas e estende ao público a pergunta: “O que você vê sendo transformado?”. Clique aqui para visitar o site e participar.

