O ator brasileiro Matteo Bonfitto e Marina Abramović na performance The artist is present [O artista está presente], no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).
Carlos A. Inada
São Paulo
O jornal The New York Times publicou há pouco uma matéria que discute como o espaço físico do Museu de Arte Moderna de Nova York é usado atualmente, e a visão que esse uso reflete. É um artigo provocativo, principalmente devido à visão de arte e de sua história da própria autora, e porque o texto possivelmente expressa como museus e curadores de fato pensam e trabalham.
Citando:
Nos dias de hoje, o saguão tornou-se um símbolo de algo que poderia ser chamado o Novo [Museu de Arte] Moderna. É o signo mais proeminente da maneira leviana, até mesmo desesperada, como o museu abraça o novo e o que vem a seguir, a grandiosidade da instalação e da videoarte, assim como a arte performática e, em geral, a arte como entretenimento e espetáculo. Assim, o saguão é tanto uma medida da nova vitalidade do [Museu de Arte] Moderna como um sintoma de algo que é mais do que um pouco assustador sobre o destino da arte contemporânea, ou onde o [Museu de Arte] Moderna a está levando. (Dica: a arte conceitual é o novo cubismo.)
[...] Na revista Artforum deste mês, o galerista-escritor francês François Piron refere-se à abertura (“nós podemos mostrar qualquer coisa”) dos museus de hoje como “porosidade museológica”, citando as atividades paralelas da recente retrospectiva de Marina Abramovic, regadas com performers nus.
A “porosidade museológica” do [Museu de Arte] Moderna é claramente mais extrema no saguão. Aqui testemunhamos a nova consciência de um público cada vez maior e cada vez mais desprovido de atenção e das maneiras como a arte conceitual e a arte performática aceleram o consumo da arte ao privilegiar a mensagem em detrimento do meio, a relativa simplicidade da narrativa em detrimento das complexidades da forma.
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