Dharma/Arte Magazine publicou esta semana “O princípio feminino e a Teoria U”, de Arawana Hayashi, e destacamos aqui 3 momentos do processo U: sentir, presenciar, realizar ― que representam, também, a interação entre os princípios feminino e masculino.
Arawana destaca:
O princípio feminino não tem nada a ver com gênero ou política de gênero. Embora a sabedoria das mulheres seja um tema de muito valor, absolutamente esse não é o foco aqui. A essência do princípio feminino é espaço — o vasto, o vasto espaço. [...] E ele convida cada um de nós a descobrir como podemos manifestar mais espaço e abertura em nossa vida cotidiana e em nosso trabalho com os outros.
Sobre esse mesmo tema do princípio feminino, Dharma/Arte Magazine publicou outro texto, de Alice Haspray, estudante de Shunryu Suzuki-roshi e, depois, de Chögyam Trungpa: “Vislumbres de espaço: o dom do princípio feminino”. Nesse texto, Alice Haspray introduz uma possível provocação à tendência dualista que todos temos, que se manifesta em diversas áreas, incluindo nossa abordagem da espiritualidade, do feminino e do masculino, do espaço e da atividade. Alice Haspray escreve:
Quando dizemos que necessitamos de espaço, onde o encontramos? Bem no meio de toda essa energia está o próprio espaço. Quando há muita energia, o espaço está exatamente lá. Quando há muito espaço, a energia está exatamente lá. Não está em nenhum outro lugar. Onde mais poderia estar? Quando nos sentimos claustrofóbicos, como encontramos espaço para respirar?
Alice Haspray reforça, assim, a dança entre o feminino e o masculino e apresenta um lembrete realista: estamos exatamente aqui e agora. Onde mais poderíamos estar? E apresenta uma citação de Chögyam Trungpa como convite à reflexão e discussão:
Quanto mais nos sentimos aprisionados, incapazes, caóticos e horríveis — isso é, na verdade, o espaço. Quer acreditemos ou não, isso é um fato. Quanto mais sentimos a claustrofobia, quanto mais sentimos que estamos entulhados, quanto mais nos sentimos completamente enredados por um congestionamento. Essas pequenas, ou mesmo grandes, coisas estão por toda parte. Somos envolvidos por essa situação e dela não podemos nos desmaranhar. Quando tentamos nos livrar de uma situação assim, temos de produzir ou manufaturar mais coisas a fim de nos livrarmos. E essas mesmas coisas começam a ficar no meio do caminho o tempo todo. Isso tudo é, na verdade, espaço, o princípio E.
E deixa algumas perguntas para todos nós: “O que é a energia masculina que trazemos? E a feminina? Como elas dançam juntas?”.



