Pontos / Dots

Pontos / Dots

  • D/A Pontos mudou
  • D/A Dots has moved
  • APRECIAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO

    • 7 Oct 2010
    • 1 comentários/ comment
    •  visualizações/ views
    • Apreciação David Smith Música
    • Edit
    • Delete
    • Tags
    • Autopost

    Joshua1
    Foto: Joshua Black Wilkins

     

    Dave Smith
    Nashville, TN
     

    Anos atrás, quando comecei a engatinhar, a dar meus primeiros passos para fora da dependência e do alcoolismo, estava tomado pelo medo, pela confusão, pelo ódio, pelo ressentimento. Sentia-me sozinho e derrotado, e desesperado para encontrar uma nova maneira de ver o mundo e a mim mesmo, uma transformação pessoal.

    Gostaria de oferecer a vocês uma música, chamada “Shining down” (ver abaixo). Escrita e gravada em 2003, essa música reflete a pegada desses estados mentais difíceis nos quais estava constantemente perdido. Quando comecei a observar meus estados mentais e a entender a natureza e a destrutividade de meu autocentramento; quanto muitos dos problemas que eu parecia enfrentar tinham origem na verdade em minha mente pensante ― encontrei um grande alívio e liberdade, simplesmente por reconhecer a verdade do sofrimento que eu havia causado e experimentado.

    Aceitar a verdade do passado e abrir-me a uma nova maneira de abordar minha relação com este mundo foi ao mesmo tempo difícil e libertador. Não havia nada que eu pudesse fazer em relação ao meu passado, ele não mudaria, mas eu PODIA mudar minha relação com o passado e de fato apreciar como ele havia me oferecido a oportunidade de mudar, recomeçar, ter um novo começo, ligar o foda-se. De muitas maneiras tornei-me capaz de apreciar o sofrimento de uma maneira que era útil e benéfica. Ter e experimentar alguma gratidão pela oportunidade que ele realmente me deu. Ele me permitiu fazer mudanças em minha vida cotidiana que me fizeram tomar um rumo melhor. A verdade do passado, o sofrimento do passado, era de muitas maneiras meu maior bem e provou-se como um fundamento para o crescimento espiritual, a felicidade e a apreciação. 

    Quanto a apreciar o sucesso, a boa sorte e a felicidade dos outros, isso não foi algo natural para mim. Quando outras pessoas tinham felicidade e sucesso, algumas vezes isso fazia com que sentisse algo como: “Por que eles e não eu?”. Essa reação apenas me fazia sentir raiva, inveja, autocomiseração e também ressentimento. 

    Anos atrás, quando comecei a praticar o dharma, comecei a entender e a notar que essas experiências difíceis enraizavam-se em momentos em que a “mente que compara” estava em ação. À medida que comecei a investigar essa função da mente que compara, fui capaz de notar que isso acontecia muito, se não a maior parte do tempo! Comparava como era no passado com minha ideia de que como seria no futuro, comparava hoje e ontem, esta sessão de meditação com aquela, e assim por diante. Isso me deixava no final com uma sensação de insatisfação. A mente que compara estava causando muita confusão e sofrimento em minha vida. Também comparava a mim mesmo com os outros, vendo-os como melhores ou piores do que eu. Comparava a felicidade dos outros com a minha própria, o que outras pessoas tinham e eu não tinha. Não só coisas materiais, como um sentido de geral de bem-estar e felicidade neste mundo. Isso era opressivo e frustrante, no minimo. Podia ver claramente como isso operava e que aquilo não me servia de nenhuma maneira. Embora eu pudesse ver e entender isso, não tinha certeza de que pudesse fazer outra coisa além de observar. Qual seria o meio hábil para trabalhar com esse forte padrão habitual da mente?

    Quando comecei a investigar melhor a mente que compara, também pude ver claramente como comparar rapidamente conduz a julgamentos. Julgamentos sobre mim mesmo, outras pessoas, o mundo, o passado, o futuro; na verdade, era como se eu tivesse um julgamento sobre tudo! Era exaustivo, e me causava muita confusão e frustração. Quando participava de retiros de meditação vipassana, e lia sobre o dharma, era em certo sentido um alívio que se falasse muito sobre esse tema de comparar e julgar, e que fossem grandes obstáculos à prática da liberdade. À medida que minha prática avançou, tornei-me capaz de prestar atenção a esses estados mentais e algumas vezes de apenas deixar que eles se fossem. Era capaz de conseguir “algum” alívio, mas ainda sentia que eles realmente tinham um forte poder sobre mim. Frequentemente me via desabando sob seu poder e de muitas maneiras e sentia sem esperança e derrotado, o que, é claro, apenas produzia mais julgamentos e comparações. Estava encurralado e sabia disso!

    No ano passado, comecei a estudar e a aprender a facilitar grupos de meditação com meu amigo e professor Noah Levine. Esse processo incluiu muita reflexão, estudo, escrita e prática. O treinamento realmente me desafiou a compreender e transformar alguns de meus hábitos, da mente e do coração, profundamente condicionados. Ao longo dos últimos três meses venho estudando e praticando os 4 Brahma-Viharas: bondade amorosa, compaixão, alegria apreciativa e equanimidade.

    Ao realmente trabalhar e explorar essas práticas, vi que a prática da alegria apreciativa pode ser um meio hábil para trabalhar os julgamentos e as comparações. Aprender a apreciar não apenas a felicidade e o sucesso que experimento, mas também a boa sorte, o sucesso e a felicidade dos outros. Sentar-se quieto, simplesmente conectar-se com o centro de seu coração e oferecer essas frases muito simples:

    Que eu aprenda a apreciar a felicidade, a alegria e o sucesso que eu/você experimente.
    Que a felicidade que eu/você experimente continue a crescer.

    Que eu/você possa ser tomado de apreciação e gratidão.

    Essa prática de apreciação por TODOS os sucessos e por TODA a felicidade que são experimentados no mundo realmente transformou o sofrimento que causei a mim mesmo, como resultado de comparar e julgar. Agora posso apreciar tudo aquilo. Sem criar essa dualidade entre “eu” e os “outros”. Posso simplesmente apreciar essa qualidade de felicidade no mundo.

    O Buda disse que existem 10 mil alegrias e 10 mil tristezas no mundo. A apreciação tem como objeto específico as 10 mil alegrias. Posso participar de toda a alegria no mundo e apreciá-la? Posso permitir que aqueles ao meu redor cresçam por si mesmos em meio a felicidade sem sentir-me “de fora”? Posso aprender a apreciar toda a felicidade no mundo sem compará-la com a minha própria, ou julgar-me por não tê-la? Começo a sentir que é possível!

    Que toda a alegria e toda a felicidade no mundo continuem a crescer!

    Com gratidão,
    Dave Smith

     

      “Shining Down”, de Dave Smith (se o player não abrir, clique aqui)

    Read the rest of this post »

    • Tweet
  • APRECIAÇÃO: CURIOSIDADE

    • 25 Jul 2010
    • 0 comentários/ comments
    •  visualizações/ views
    • Apreciação fotografia
    • Edit
    • Delete
    • Tags
    • Autopost

    Mercurius. Instalação fotográfica de Zsolt Sütő


    O propósito de dharma/arte é tentar superar a agressão. De acordo com a tradição budista vajrayana, se nossa mente está preocupada com a agressão, não pode funcionar da maneira adequada. Por outro lado, se nossa mente está preocupada com a paixão, existem possibilidades. Na verdade, o talento artístico está de alguma maneira relacionado com o nível da paixão, ou com o intenso interesse pela qualidade intrigante das coisas. A curiosidade é exatamente o oposto da agressão. Experimentamos a curiosidade quando existe um sentido de querer explorar cada canto e descobrir cada possibilidade da situação. Ficamos tão intrigados pelo que experimentamos, vimos e ouvimos que começamos a esquecer a agressão. Imediatamente, nossa mente está à vontade, seduzida por uma paixão maior.

    Quando estamos em um estado apaixonado, começamos a gostar do mundo, e começamos a ser atraídos por certas coisas — o que é bom. Obviamente, tal atração também acarreta a possessividade e algum sentimento de territorialidade, que vem depois. No entanto, diretamente, a paixão pura — sem gelo, sem água, sem soda — é boa. Pode ser bebida; é também alimento; podemos viver dela. É bem maravilhoso que tenhamos a paixão, que não sejamos feitos somente de agressão. É algo como uma graça salvadora que possuímos, o que é fantástico. Deveríamos ser gratos à visão do Sol do Grande Leste. Sem a paixão, não poderíamos experimentar nada; não poderíamos lidar com nada. Com a agressão, temos maus sentimentos a respeito de nós mesmos: ou nos sentimos tremendamente íntegros, de modo que somos os únicos que estão certos, ou nos sentimos irritados porque alguém está nos destruindo. Isso é patético. Impede-nos de ver a bondade fundamental.

    Chögyam Trungpa, “Bondade fundamental”, in Dharma/arte: a percepção verdadeira. Clique aqui para ler o capítulo na íntegra.


    Kek_szokemasfelmazsa_zsoltsutofoto_02

    Foto: Zsolt Sütő

    • Tweet
  • « Previous 1 2 Next »
  • Imagem de perfil / Profile image:
    © Andy Karr

    Todos os direitos reservados
    All rights reserved

    Dharma/Arte
    www.dharma.art.br
    contato@dharma.art.br

    214138 Visualizações/Views
  • Arquivo/Archive

    • 2011 (151)
      • April (4)
      • March (64)
      • February (44)
      • January (39)
    • 2010 (441)
      • December (44)
      • November (53)
      • October (60)
      • September (78)
      • August (68)
      • July (68)
      • June (70)

    RSS

    Subscribe to this posterous
    Unsubscribe
    Assine/Subscribe
    You're a contributor here (Edit)
    This is your Space (Edit)
    Follow by email »
    Get the latest updates in your email box automatically.
  • Membros / Members

    • Seja um membro apoiador
    • Become a sustaining member

    Informativo / Newsletter

    • Assine
    • Subscribe