BEUYS: A REVOLUÇÃO SOMOS NÓS

Joseph Beuys, Sete mil carvalhos, 1982. Documenta 7, Kassel. Foto: Guenter Beer.

 

Em 27 de julho, Antonio d’Avossa, curador da exposição Joseph Beuys: a revolução somos nós (a ser inaugurada em São Paulo no dia 14 de setembro), dará uma palestra sobre “Joseph Beuys e a Universidade Livre Internacional” no SESC Pinheiros, também em São Paulo.

Do site do Walker Art Center:

Joseph Beuys (1921-1986) é talvez um dos mais influentes artistas do século XX. Ao longo da década de 1970 ele [...] delineou uma revolução social a ser realizada em grande parte pelos poderes transformadores da arte. A noção expandida de Beuys era democrática e incluía virtualmente todas as formas de atividade humana. [...]

Um de seus projetos, talvez o de maior alcance, foi 7000 carvalhos. Iniciado em 1982, esse projeto ambicioso tornou-se um empreendimento de cinco anos no qual ele e outros plantaram 7 mil árvores de vários tipos na cidade de Kassel, na Alemanha, cada uma acompanhada de uma estela que servia como marcador. A forma da pedra sólida junto à arvore em contínua transformação representa simbolicamente um conceito fundamental da filosofia de Beuys, a de que essas duas qualidades naturais, embora opostas, são complementares e coexistem harmonicamente. [...] Completada em 1987 por seu filho Wenzel, no primeiro aniversário da morte de seu pai, 7000 carvalhos é um verdadeiro resumo das ideias de Beuys sobre arte e sua habilidade de produzir mudanças na sociedade.

Influenciado pelos escritores românticos Novalis (“Todos são um artista”) e Schiller, e por ideias da antroposofia e de seu criador, Rudolf Steiner, de acordo com o conceito de Beuys de escultura social, a sociedade como um todo deveria ser vista como uma grande obra de arte na qual cada um pode contribuir criativamente.

Em 1973, Beuys escreveu:

Somente com a condição de um alargamento radical das definições será possível que a arte e as atividades relacionadas a ela provem que a arte é hoje o único poder evolucionário-revolucionário. Somente a arte é capaz de desmantelar os efeitos repressivos de um sistema social senil que continua a cambalear à beira da morte: desmantelar para construir um “ORGANISMO SOCIAL COMO OBRA DE ARTE”... NO QUAL TODO SER HUMANO É UM ARTISTA que ― a partir de seu estado de liberdade ― a posição de liberdade que ele experimenta diretamente ― aprende a determinar outras posições da OBRA DE ARTE TOTAL DA FUTURA ORDEM SOCIAL.

Beuys (1973), publicado originalmente em inglês em Caroline Tisdall, Art into Society, Society into Art, p. 48, em maiúsculas no original.

Recentemente, Otto Scharmer, criador da Teoria U, escreveu em seu blog:

Fui o facilitador de um encontro sobre mobilidade verde em uma companhia global na Europa. Vendo como essa companhia, que opera em uma indústria muito antiga e tradicional, está começando a mudar realmente me inspira: ela está:

  • passando da negação a colocar a temática verde no centro de suas questões
  • passando da tecnologia verde à mobilidade verde
  • dando-se conta de que a mobilidade verde requer novas maneiras de trabalhar e pensar juntos.

Quando deixamos a reunião (cerca de 80 pessoas de todos os departamentos e regiões), todos nos sentíamos elevados — não apenas porque tínhamos tratado do assunto correto (verde) no momento correto (agora), mas porque durante a reunião tínhamos passado de asserções individuais (debate) para um processo de pensar juntos (diálogo). Quando tal processo começa a ocorrer, quando um grupo de pessoas inicia o processo de pensar em conjunto, elas atingem um nível totalmente novo de energia coletiva que as eleva. Todos se sentem presentes e calorosos.

A sensação lembra-me uma palavra cunhada pelo artista de vanguarda Joseph Beuys: Soziale Waermeplastik — escultura de calor social. Quando nos ligamos com os níveis mais profundos do campo social, nós nos conectamos com a escultura do calor social, com um meio maleável e com um sentido de ligação que emerge da energia interior das pessoas. Pensar em conjunto, e nesse sentido o processo U, é um movimento (e um estado de atenção) que nos liga com esse campo mais profundo de consciência.

Interessante campo em que dialogam consciência, presença, liderança, arte e sociedade. O que você sente e pensa a respeito? Como suas práticas de atenção e consciência, criação, arte e liderança podem interagir para promover a mudança?


Healing the Western Mind: Joseph Beuys in America

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