CRIATIVIDADE NATURAL

Kontrul Jigme Namgyel, Sem título #7 (2005), óleo sobre tela, 12,16 × 9,5”

 

Via Tricycle: The Buddhist Review

Geralmente pensamos que a criatividade “pertence” ao artista. Mas, em um sentido mais amplo, a energia criativa é inata e espontaneamente presente. Ela não nasce, não possui centro ou limites, e nada existe fora dela. As montanhas e os oceanos, o sol e a lua, até mesmo as estações do ano surgem espontaneamente a partir dela. O que se torna “nossa vida”, tudo o que somos e tudo o que temos sido desde que entramos neste mundo, está espontaneamente presente. Nossa composição genética ― os óvulos e o esperma de nossos pais ― surge a partir da energia criativa de nossa natureza fundamental e está contido nela. O grande praticante budista Kunchyen Longchenpa disse: “O universo é espontaneamente presente, quem poderia tê-lo criado? Ele é a grande produção de sua energia criativa”. E toda a aparência é abençoada por ela.

Quando falamos de criatividade natural e de sua expressão, não estamos falando de algo separado de nossa própria mente e experiência. Tudo o que chamamos de “fenômenos existentes” é experimentado pela mente. Essa consciência é primordial e onipresente ― existe um momento sequer em que não a experimentamos? A experiência pode ser entediante, podemos estar adormecidos, podemos ser ignorantes ou estar distraídos, mas estamos sempre “despertos”, de uma maneira ou de outra ― experimentando nossos pensamentos, nossas emoções, nosso estado mental, nosso tédio, nossa distração ou alegria. Nunca há um momento em que somos inanimados como uma pedra. Essa energia criativa nunca nos deixa, quer nos voltemos para a ignorância ou para a iluminação; quer nossa inteligência esteja obstruída ou não; quer atuemos a partir do ego ou de um estado mental maior. Em todos os momentos ela é nosso próprio estado em sua nudez.

 

NATURAL CREATIVITY

Kontrul Jigme Namgyel, Untitled #7 (2005), oil on paper, 12.16 × 9.5 inches

 

Via Tricycle: The Buddhist Review

We usually think of creativity as “belonging” to the artist. But in a larger sense, creative energy is innate and spontaneously present. It is unborn, with no center or boundary, yet nothing exists outside of it. The mountains and oceans, the sun and moon, even the seasons arise spontaneously from it. What has become “our life,” everything we are and everything we have been since we stepped into this world, is spontaneously present. Our genetic makeup—the egg and sperm of our parents—arose from and is encompassed by the creative energy of our basic nature. The great Buddhist practitioner Kunchyen Longchenpa said: “The universe is spontaneously present, who could have created it? It is the grand production of its creative energy.” And all appearance is blessed by it.

When we speak about natural creativity and its expression, we are not talking about something separate from our own mind and experience. All that we call “existent phenomena” is experienced by mind. This awareness is primordial and omnipresent—is there ever a time when we don’t experience? Experience can be dull, we may be asleep, we may be ignorant or distracted, but we are always “awake” in one way or another—experiencing our thoughts, our emotions, our state of mind, experiencing our dullness, our distractedness or joy. There has never been a time when we have been inanimate, like a rock. This creative energy never leaves us, whether we turn toward ignorance or enlightenment; whether our intelligence is obstructed or not; whether we operate from the ego or from a bigger state of mind. It remains in its own naked state at all times.

Dzigar Kongtrul Rinpoche